quarta-feira, 2 de agosto de 2017

ANOSOGNOSIA

*A N O S O G N O S I A*...

Que alívio ter conhecimento disto! Há tempos eu andava preocupado porque:
1.Não me recordava dos nomes próprios;
2.Não me recordava onde deixava algumas coisas;
3.Quando estou conversando e tenho o pensamento interrompido, tenho dificuldades de continuar com a conversa no ponto em que a tinha deixado;
Enfim, pensava que tinha um inimigo dentro da minha cabeça, cujo nome começa por Alzheimer.
Hoje li um artigo que me deixou bem mais tranquilo, por isso, transcrevo a parte mais interessante:
"Se tu tens consciência dos teus problemas de memória, então é porque ainda não tens problemas"
Existe um termo médico que se chama ANOSOGNOSIA, que é a situação em que tu não te recordas temporariamente de alguma coisa. Metade dos maiores de 50 anos, apresentam algumas falhas deste tipo, mas é mais um fato relacionado com a idade do que com a doença propriamente dita.
Queixar-se de falhas de memória é uma situação muito comum em pessoas com 50 ou mais anos de idade.
Se traduz por não recordar um nome próprio, entrar num cômodo da casa e esquecer-se do que ia fazer lá ou buscar, esquecer o título de um filme , ator , canção, não se lembrar onde deixou os óculos, etc.
Muitas pessoas preocupam-se, muitas vezes em excesso, por este tipo de esquecimento. Daí, uma informação importante:
"Quem tem consciência de ter este tipo de esquecimento, não tem problema sério de memória. Todos que padecem de doença de memória, com o inevitável fantasma do Alzeimer, são aqueles que NÃO tem consciência do que efetivamente se passa.
O professor Bruno Dubois, do Institut de la Mémoire et de la Maladie d’Alzheimer, do Hôpitaux Universitaires Pitié-Salpêtrière, em Paris, encontrou uma engraçada, mas didática explicação, válida para a maioria dos casos de pessoas que estão preocupadas com os seus esquecimentos:
  "Quanto mais se queixam dos seus problemas de memória, menos possibilidades têm de sofrer de uma doença de memória".
Este documento é dedicado a todos os esquecidos que me recordo.
Se esquecerem de repassar, não se preocupem porque não será Alzeimer... são os muitos anos que pesam dentro das suas cabeças.

PREÇÃO ALTO e o HIPOCONDRIACO



"Eu tomo um remédio para controlar a pressão.
Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o 'preção.'
Tô sofrendo de 'preção' alto.
O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta  era salgada demais.
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico.
Sério!
Não sei mais o que é real.
Principalmente, quando abro a carteira ou pego extrato no banco.
Não tem mais um Real.
Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que o presidente prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time:
- nas últimas.
Bem, e o que dizer do carioca? Já nem liga mais pra bala perdida...
Entra por um ouvido e sai pelo outro.
Faz diferença...
'A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República Checa tem  o governo em Praga e o Brasil tem essa praga no governo'
'Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio'."


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Enredo para uma morte feliz !



As reflexões sobre a tanatologia, sobre a morte. É um tema que ninguém gosta, mas que faz parte da vida, e não tem como fugir dele.

Como costumava dizer a minha mãe, “quem de novo não morre, de velho não escapa” , e é isto mesmo. Infelizmente, todos partiremos um dia. Entretanto, poucos são os que cuidam bem da vida para não ter uma morte precoce. Normalmente, perdemos tempos preciosos com coisas que não valem a pena, e só nos roubam energias de vida.

Gosto muito desta frase de Charles Chaplin que diz: “a vida é apenas uma, viva a vida de hoje.” Então vivamos a vida sem desperdícios desnecessários, inclusive sem medo da morte!

Você já tentou fazer um roteiro para teatro? Eu adoro escrever. Volta e meia tento fazer textos novos. Uma coisa eu já notei. Quando repito um roteiro, uma cena, uma apresentação, as cenas nunca saem de forma igual. Existe sempre alguma alteração na aparência e na linguagem e no ambiente em que está acontecendo. Meu pai dizia que escrever é como cozinhar e minha sábia mãe dizia que cozinhar tem a ver com o estado de humor. Coincidentemente, quando as coisas não iam bem com meu pai, a comida era uma lástima.

Os livros de auto ajuda consagram receitas ou roteiros para a vida. Aqui não estamos falando necessariamente de arte culinária mas de formas mais específicas de viver. A grande visibilidade deste tipo de literatura é um sinal da precariedade das políticas públicas de saúde mental, por um lado, e da insatisfação com boa parte das religiões institucionais que gradualmente transformam-se em empresas, por outro lado. As pessoas continuam buscando respostas às questões fundamentais: "De onde vim?"; "Por que estou aqui?"; "para onde vou?".

Mentes intranquilas buscam felicidade num ambiente onde ser feliz parece ser uma obrigação e o expressar de tristeza um sinal de fraqueza e adoecimento mental. Pílulas ansiolíticas atreladas a mantras de bem estar aparecem então como soluções mágicas para o medo de viver e o medo de morrer, medos estes sempre inseparáveis produzindo sentidos um para o outro.

Confesso que não me atreveria a escrever um livro de auto ajuda. Nâo morro de amores pelo gênero mas, fica aqui minhas dicas para se tentar morrer feliz com base na minha experiência de 54 anos de vida e de alguém que já passou uma semana numa UTI lutando ao mesmo tempo contra um câncer de cólon, uma diverticulite e uma infecção multi resistente que quase transformou-me no objeto do meu estudo, a morte. São sugestões singelas e que temo que você achará um tanto piegas e até clichês mas, vamos adiante.

1) Reflita muito antes de entrar em conflitos. Existem muitas causas nobres no mundo para serem abraçadas nos dando aquela perspectiva de que nossa existência pode estar fazendo alguma coisa pelo gênero humano. Foque suas energias nisso mas cuidado quando você pensar que irá resolver os problemas da humanidade quando alguém fura o lugar na fila. Essas pequenas batalhas diluem nossas energias e nos tira o foco de questões centrais.

2) Não vale acumular ressentimentos e ódios, principalmente com as pessoas que amamos ou tentamos amar. Uma maneira de resolver isso é impedir que as situações ganhem maior dimensão pelo não falar. Odiar estranhos é uma tarefa fácil pois não somos obrigados a conviver com eles. Odiar amigos e parentes nos enfraquece. Não se trata de impor-se a tarefa praticamente impossível de amar a todos incondicionalmente mas de pelo menos tentar atuar sobre os focos que produzem o desamor e assim potencializar espaços de boa convivência e bons afetos. Lembre-se que aquele tio chato pode ter algo de bom a compartilhar com você. Isso ainda não aconteceu porque você talvez não tenha oferecido as condições ideais.

3) O plano de existência que o mundo nos reserva (quando dá certo) parece ser um tanto melancólico. Você tem uma parte da infância roubada pela educação formal que se torna inimiga do brincar e da imaginação. Depois você faz de tudo para se aperfeiçoar num determinado saber que poderá lhe dar alguma sustentação material. Se isso funcionar, você poderá acumular algum patrimônio que vai se diluir quando você ficar mais velho com gastos para te manter vivo. Viver é usufruir do tempo. Tente ser guerrilheiro da sua vontade e lutar pelo seu tempo. Roube a maior quantidade possível de tempo do seu trabalho (principalmente quando ele não te satisfaz emocionalmente) Trabalhe para viver. Não viva para trabalhar.

4) No final da vida, a julgar pelos milhares de depoimentos já acumulados de pessoas agonizantes, você irá se arrepender muito mais das coisas que não fez. Aqui temos que ser sábios. Não se trata de buscar realizar desejos que coloquem sua vida sempre em risco. Não consta que aprender violão, uma nova língua ou técnicas de desenho sejam atividades que te exponham ao risco significativo de morrer. Caso você almeje ser astronauta tem de fato uma tarefa quase irrealizável pela frente mas não serei eu alguém a recomendar que você aborte seu sonho. Mas, convenhamos, a vida na sua maior parte é construída pela realização de pequenos projetos que podem nos oferecer grande contentamento. Enquanto o grande sonho não se realiza, não deixe de viver o prazer das pequenas conquistas.

5) Uma das coisas que notei depois de passar pela minha experiência limite no hospital foi que minha percepção de tempo ou de uso dele mudou radicalmente. Apesar de, estatisticamente, não ter lá muito tempo de vida comparado quando eu era mais jovem, hoje o tempo pra mim é vivido mais vagarosamente. Faço tudo de uma forma mais lenta. Estou na contramão do paradigma de que rapidez é eficiência. Vejo a vida hoje como um pedaço de uma torta muito saborosa que deve ser devorada lentamente com seu sabor sendo devidamente apreciado a cada mastigada. Experimente viajar numa bela estrada na faixa de menor velocidade. Coloque o automóvel a uns 40 por hora. Você notará muito mais coisas se não ficar pisando no acelerador com o olhar fixo no velocímetro. Enfim, a beleza da vida só pode ser de fato notada quando refletimos de alguma forma sobre o viver. A pressa sempre foi inimiga não só da perfeição mas também da reflexão.

6) Você pode juntar a tudo isso uma dieta mais saudável e a prática regular de exercícios que aumentará suas chances de ter uma velhice menos atribulada com as doenças. Ainda assim, viver a ditadura do que se deve comer e não comer parece ser algo que limita muito o bem viver posto que um dos prazeres da vida descobrimos na mesa. Imponha-se ritmos mas se dê o direito de pequenas subversões alimentícias, principalmente nos momentos de celebração. No ano novo a combinação de leitoa assada com arroz integral parece uma coisa meio estranha. Da mesma forma, se você adora acordar cedo para dar aquela corrida, faça isso. É o prazer aliado a um sentido de disciplina que fará sua vida ter um colorido mais intenso além de dar aquela energia para atividades mais rotineiras e estafantes. Mas, por favor, naquela manhã de domingo quando seu corpo pede mais um tempo na cama ou se você é acordado com um abraço gostoso, deixe a ginástica pra lá. Namore bastante e depois durma mais um pouco.

Acho que ao seguir essa receita você terá grandes chances de morrer potencialmente feliz ou quem sabe menos melancólico. A morte só é trágica em seu sentido emocional quando ela coroa uma existência esvaziada de projetos realizadores. Sempre faça a seguinte pergunta: "Vivo minha vida mais em função do que desejo para ela ou em função do que os outros desejam?". A liberdade plena parece impossível. A escravidão plena um horror terrível. É no equilíbrio entre o exercício dos desejos frente as expectativas impostas que parece esconder-se o segredo do sorriso do agonizante.

Carpe Diem.



A NECESSIDADE DE UM MELHOR ATENDIMENTO PARA A HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE (NO SISTEMA ÚNICO).


A NECESSIDADE DE UM MELHOR ATENDIMENTO PARA A HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE (NO SISTEMA ÚNICO).                                                                                                 

RESUMO
Este artigo busca discutir e levar a uma reflexão sobre a qualidade do atendimento ao usuário dos serviços de saúde público. Baseia-se na literatura, na legislação e em observações feitas em postos de atendimento. Considera a diferenciação entre o buscador de atendimento dos serviços públicos e privados, em que o primeiro é visto simplesmente como usuário, enquanto que o segundo além de paciente é, também, cliente, classificação essa que faz toda a diferença no acolhimento e no atendimento. Apesar das conquistas alcançadas pela ciência na busca pela melhoria da qualidade de vida, esse avanço não se estende ao item atendimento/acolhimento ao usuário. Humanização, direitos, investimentos, treinamento e capacitação fazem parte do que se entende como ações positivas no relacionamento entre as instituições de saúde pública e os usuários, mas que na prática se notam falhas. Ainda que seja mister se buscar atendimento gratuito em uma unidade de saúde, parece não haver, por parte dos servidores, a consciência da necessidade dessa melhoria, levando-os, a não se importar com consequências e diferenças de um bom e um mau atendimento, como resultado, não é difícil perceber o efeito no atendimento ao usuário. Espera-se também que a criação de documentos regulamentadores e reguladores de ações do atendimento ao usuário, sejam mais do que textos a serem divulgados e simplesmente lidos, mas que acima de tudo, sejam usados para servir de referência na efetiva implantação de ações que visem o estreitamento do relacionamento entre profissionais de saúde, usuários dos serviços públicos de saúde e gestores.
Palavras-chave: Humanização. Atendimento. Saúde Pública.

1. INTRODUÇÃO
Muito se tem falado sobre o atendimento ao usuário dos serviços de saúde, principalmente dos serviços públicos, muito se tem feito também de forma técnica e teórica, porém o que se pode perceber em uma breve visita às unidades que prestam algum tipo de serviço ou atendimento de saúde é que na prática essas ações quase inexistem.
As poucas ações propostas ou levadas a cabo pelos órgãos controladores dos serviços de saúde visam em primeiro lugar, acertadamente, os direitos do usuário, porém esquece-se de divulgar esses direitos de forma efetiva, colocá-los em prática e, sobretudo, de treinar ou treinam mal os profissionais diretamente ligados a esses atendimentos, ou seja, aqueles que têm contato direto com os usuários.
Pretende-se demonstrar que apesar de inúmeras leis e dos vários anos de discussão, é ínfima a quantidade do que se tem feito, chegando-se até mesmo a proporção de nada, no quesito melhoria do atendimento ao usuário, seja em relação aos prestadores de serviços de saúde, seja em relação aos tomadores desses serviços.
Cabe lembrar que as reclamações de usuários ocorrem em todas as etapas do atendimento, iniciando-se na recepção do serviço de saúde e se estendendo até a dispensa pós-atendimento.
Voltando ao ponto de vista do usuário, podemos dizer que, em geral, este reclama não da falta de conhecimento tecnológico no seu atendimento, mas sim da falta de interesse e de responsabilização dos diferentes serviços em torno de si e do seu problema. Os usuários, como regra, sentem-se inseguros, desinformados, desamparados, desprotegidos, desrespeitados, desprezados. (MERHY, 1999,)
      

A partir destas constatações, apresentamos este artigo de investigação bibliográfica com base em artigos em versão eletrônica, manuais do Ministério da Saúde, Legislação Federal e Estadual, bem como baseado em experiências do dia-a-dia, com o intuito de analisar e discutir as propostas oficiais que visam erradicar as falhas de atendimento ao cidadão que busca os postos de atendimento público de serviços de saúde.
Buscou-se realizar uma analise da literatura e dos programas existentes, que visam, em tese, a proximidade entre profissionais, usuários e gestores e que em teoria fazem parte da humanização dos serviços de saúde públicos.
Vale ressaltar que com capacitação e educação permanente é possível haver melhoria no atendimento e no acolhimento, e, consequentemente no relacionamento entre profissional de saúde e usuário. Quanto melhor este relacionamento, melhor pode ser o resultado final na recuperação deste usuário gerando assim uma maior satisfação para todos os envolvidos no processo de recuperação da saúde.
É necessário que todos os envolvidos com o Sistema Único de Saúde, sejam eles funcionários, gestores e usuários, estejam envolvidos no desenvolvimento de forma equânime e efetiva dos programas já existentes, fazendo dessa forma com que o termo humanização se torne uma realidade próxima e acessível a todos.
DESENVOLVIMENTO
2. BOM ATENDIMENTO, UMA UTOPIA?
Ainda que seja a base estrutural da busca pela excelência do bom atendimento ao usuário dos serviços de saúde público, o termo “humanização” demonstra não estar cumprindo o papel que se espera dele, ficando desta forma carente de normas de procedimentos mais efetivas acerca das condutas dos profissionais de saúde em relação aos usuários ou em relação a outros profissionais quando se trata de atendimento/relacionamento interno.
Desde antes da criação do Programa Nacional de Humanização da Atenção Hospitalar (PNHAH) em 1999, já era visível e preocupante a baixa qualidade do atendimento aos usuários do serviço de saúde publico. Na prática tanto PNHAH quanto as Portarias que versam sobre acolhimento e humanização, não foram suficientes para estreitar essa relação e melhorar o atendimento/acolhimento ao usuário do sistema público de saúde. Com a publicação da Portaria GM n. 675 de 30 de março de 2006 fica aprovada a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, que consolida os direitos e deveres do exercício da cidadania na saúde em todo o País.
Assim é declarado o direito ao atendimento humano, atencioso e respeitoso, por parte de todos os profissionais de saúde.

O direito do paciente de ser identificado pelo nome, saber quem o está atendendo, quais são os procedimentos a que ele será submetido. Ser esclarecido sobre o seu estado de saúde, sobre as ações diagnósticas e terapêuticas, o que pode decorrer delas, a duração do tratamento, a localização de sua patologia, se existe necessidade de anestesia, qual o instrumental a ser utilizado e quais regiões do corpo serão afetadas pelos procedimentos. De consentir ou recusar procedimentos ou tratamentos. (BRASIL, 2006)

“As anotações em prontuário médico devem ser claras, legíveis, com todas as anotações clínicas necessárias e com a identificação do nome e registro no conselho do profissional que o atende.” (BRASIL, 2006)
 
Quanto à medicação é direito do pacientereceber medicamentos básicos, e também medicamentos e equipamentos de alto custo, que mantenham a vida e a saúde. As receitas devem ser expressas com o nome genérico ou pela droga que compõe medicamento. Todos os usuários devem ter assegurado antecipadamente, através de testes ou exames, que não é diabético, portador de algum tipo de anemia, ou alérgico a determinados medicamentos (anestésicos, penicilina, sulfas, soro antitetânico, etc..). (BRASIL, 2006).

Ninguém deve ser discriminado por ser portador de qualquer patologia. Todos têm direito a privacidade e condições adequadas e higiênicas de atendimento. As leis que garantem a presença de acompanhante seja nas consultas ou internações devem ser rigorosamente cumpridas. (BRASIL, 2006)

O momento da morte deve ser respeitado e vivenciado com dignidade podendo optar ele próprio (desde que lúcido), a família ou responsável, por local ou acompanhamento e ainda se quer ou não o uso de tratamentos dolorosos e extraordinários para prolongar a vida. É direito de o paciente optar pela doação ou não de órgãos do seu corpo. (BRASIL, 2006).

Quando buscamos na literatura ou não, observação em loco dos atendimento no SUS, podemos perceber que são várias as falhas quanto ao respeito aos direitos dos usuários, e, que o mais evidente e comprometedor é o atendimento, seja ao usuário externo, ao usuário interno e ao usuário periférico.
Cabe lembrar que quando citamos o usuário interno, externo e periférico, não podemos nos esquecer de que o usuário interno é todo aquele que faz parte do quadro de profissionais dos setores de atendimento ao usuário dos serviços de saúde, que o usuário externo é todo aquele que busca atendimento nas unidades de prestação de serviços de saúde, incluindo-se ai os próprios profissionais de saúde, e que ainda há aquele que recebe um atendimento indireto na busca dos serviços de saúde, podemos exemplificar neste caso os acompanhantes dos pacientes, as pessoas que dependem economicamente da boa saúde do usuário entre outros, estes, podemos nominar como sendo os usuários periféricos.
Levando em consideração que os serviços públicos não visam lucro, e os serviços de saúde não são diferentes, a missão desses serviços é o atendimento a quem precisa, portanto se faz urgente a necessidade de um treinamento para a conscientização dos profissionais de saúde, de todos os níveis, para a importância de um melhor atendimento a este usuário de serviço de saúde.
Diante deste distanciamento entre profissionais e usuários buscou-se através do PNHAH desenvolver ações visando estreitar essas relações tendo como objetivo a melhoria do atendimento a usuários e profissionais.
No entanto, apesar destas ações que tiveram lugar em um período compreendido entre 2000 e 2002 para uma melhor qualidade do atendimento ser uma reivindicação de usuários e alguns trabalhadores, estas foram menosprezadas por grande parte de profissionais e gestores.
Há sempre um discurso que explica o mau atendimento ao usuário, como se este se tratasse de um esgotamento da saúde e dos postos de atendimento, mas o que se percebe ai é que foram se formando alguns círculos viciosos que mantém a constância da maioria das falhas dos atendimentos e acolhimentos ao usuário.
O profissional por se julgar muito bem preparado, o que nem sempre é verdade, não dá a devida atenção às queixas dos pacientes que por sua vez não tendo direito à palavra fecham-se e não expõem exatamente toda a extensão do seu problema.
Também há o fato de o profissional não se achar devidamente valorizado e reconhecido nas suas funções pelos gestores, o que os leva a menosprezar a qualidade do atendimento, causando com isso a revolta dos usuários, que reclamam aos gestores, que não investem em treinamento dos profissionais devido à falta de comprometimento destes.
Ainda assim, o Ministério da Saúde propôs vários programas e ações buscando a melhoria da qualidade da atenção ao usuário, que, ainda que não tenham levado a solução do problema, trouxe uma ínfima, porém importante relação entre qualidade, humanização, atenção e satisfação dos usuários e profissionais.
Entre outras ações podemos citar o Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares – PNASH (1999); Carta ao Usuário (1999); Programa de Modernização Gerencial dos Grandes Estabelecimentos de Saúde (1999); Norma de Atenção Humanizada de Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru (2000); Programa de Humanização no Pré Natal e Nascimento (2000); Programa Centros Colaboradores para a Qualidade e Assistência Hospitalar (2000); Programa de Acreditação Hospitalar (2001), mesmo com todas essas e outras ações, que podemos perceber individuais, mas de grande importância para a melhoria do relacionamento usuário-profissional-gestor, pode-se sentir a falta de uma ação forte que acabe de vez com as lacunas ainda existentes no que diz respeito a humanizar o atendimento.
      E humanizar, de acordo com Rech (2003), “é tratar as pessoas levando em conta seus valores e vivências como únicos, evitando quaisquer formas de discriminação negativa, de perda de autonomia, enfim, é preservar a dignidade do ser humano”.
E é essa dignidade que se busca preservar, a mesma que se vê ameaçada quando as políticas de humanização de atendimento ao usuário se mostram eficazes na teoria, mas não demonstram grandes efeitos e grande alcance na prática.
Antes de entender o cidadão como apenas um consumidor em busca de um serviço, neste caso o serviço de saúde, é preciso que o entendamos como um cidadão fragilizado na sua saúde, portanto, em sua condição física e psicológica, o que exige nesse momento uma postura humanística e ética no que se refere ao acolhimento e respeito por parte dos profissionais acolhedores a este usuário, não podendo neste mesmo momento esquecer que este mesmo conceito deve ser aplicado pelos gestores aos profissionais que tenham um contato direto com os usuários que buscam atendimento e dependem exclusivamente dos serviços de saúde públicos.
A Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde editada em 2006 prevê em seus seis princípios que:
1. Todo cidadão tem o direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde;
2. Todo cidadão tem direito a tratamento adequado e efetivo para seu problema;
3. Todo cidadão tem direito a atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação;
4. Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e seus direitos;
5. Todo cidadão também tem responsabilidade para que seu tratamento aconteça de forma adequada;
6. Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam cumpridos. (BRASIL, 2006)
Na busca de compreender a aplicação da carta, encontramos várias contradições entre o que esta preconiza e o que é aplicado no dia-a-dia dos órgãos públicos de saúde, percebendo-se ai um grande desajuste no que diz respeito ao atendimento. Busco a seguir traçar um paralelo entre ambos, a determinação teórica da carta, e a aplicação pratica diária nos serviços de saúde, para que se demonstre com maiores evidências a posição impar entre uma e outra situação.
     Primeiro principio, parágrafo VIII: “A garantia à acessibilidade implica o fim das barreiras arquitetônicas e de comunicabilidade, oferecendo condições de atendimento adequadas, especialmente a pessoas que vivem com deficiência, idosos e gestantes.” (BRASIL, 2006)

No que diz respeito às barreiras arquitetônicas, varias ações tem sido tomadas, mas muito ainda há por ser feito, já no tocante a comunicabilidade notamos que pouco ou nada se tem feito ao longo dos anos, não sendo possível, portanto oferecer condições adequadas de atendimento.

O parágrafo I do segundo princípio que determina: “Atendimento com presteza, tecnologia apropriada e condições de trabalho adequadas para os profissionais de saude”. (BRASIL, 2006)

Sabe-se que nem sempre as condições de trabalho são adequadas desde os recursos físicos, ambiente e ambiência até os recursos humanos.
Já o parágrafo II do mesmo princípio assegura que o usuário deve ter informações claras e objetivas sobre o seu estado de saúde, as hipóteses diagnosticas, diagnósticos exames e todos os procedimentos feitos durante seu tratamento.
Nota-se que deixa a desejar quando se fala em “clareza, objetividade, respeito e compreensão e até em limites éticos”, aos olhos de profissionais mau preparados, ainda que estes itens sejam de extrema importância, acabam por tornarem-se utópicos, lembrando que não há a devida clareza nem mesmo quando da elaboração das receitas médicas, que também devem ser escritas com caligrafia legível e de fácil entendimento por parte do paciente ou dos que venham dela se utilizar.
Uma simples leitura do enunciado do terceiro principio nos faz perceber o quanto o serviço público esta longe do ideal e ainda mais longe da perfeição.
:
O terceiro principio assegura ao cidadão o atendimento acolhedor e livre de discriminação, visando à igualdade de tratamento e a uma relação mais pessoal e saudável.
É direito dos cidadãos atendimento acolhedor na rede de serviços de saúde de forma humanizada, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em função de idade, raça, cor, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, características genéticas, condições econômicas ou sociais, estado de saúde, ser portador de patologia ou pessoa vivendo com deficiência”. (BRASIL, 2006)

A observação da letra “G” do § III do mesmo principio, nos mostra que este também é negligenciado por conta da massificação dos serviços públicos, da falta de capacitação dos profissionais envolvidos no atendimento ao usuário, da não observância e da possível minimização da importância desses itens por parte dos gestores.
Devemos lembrar que ao procurar o serviço público de saúde, por vezes o mal estar psíquico e emocional do paciente supera o mal estar físico, e se não houver respeito aos primeiros, dificilmente se lograra êxito no tratamento do segundo.
Ainda que o usuário tenha responsabilidades previstas nesta mesma cartilha explicitas no quinto principio, sabemos que os parágrafos I, II, VII, IX e XII principalmente, não são cumpridos, seja por desmotivação ou desconhecimento dos parágrafos I e II, seja por reciprocidade quando se trata do parágrafo VII, ou seja, por ignorância causada pela falta de divulgação dos parágrafos IX e XII.
De todos os princípios, notamos que é o sexto “todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam cumpridos”, o que tem todos os seus parágrafos ignorados ou não desenvolvidos de forma prática e ampla restringindo-se mais a teoria a aplicação destes itens, comprometendo desta forma o efetivo desenvolvimento de toda a cartilha.

O sexto princípio assegura o comprometimento dos gestores para que os princípios anteriores sejam cumpridos.
Os gestores do SUS, das três esferas de governo, para observância desses princípios, se comprometem a:
I. Promover o respeito e o cumprimento desses direitos e deveres com a adoção de medidas progressivas para sua efetivação.
II. Adotar as providências necessárias para subsidiar a divulgação desta carta, inserindo em suas ações as diretrizes relativas aos direitos e deveres dos usuários, ora formalizada.
III. Incentivar e implementar formas de participação dos trabalhadores e usuários nas instâncias e nos órgãos de controle social do SUS.
IV. Promover atualizações necessárias nos regimentos e estatutos dos serviços de saúde, adequando-os a esta carta.
V. Adotar formas para o cumprimento efetivo da legislação e normatizações do sistema de saúde. (Brasil, 2006)

O motivo notamos está no fato de não haver uma perfeita interação Gestor, Profissionais e Usuários, restando a certeza em cada um que é apenas do outro a responsabilidade dos maus serviços ou da implantação de cursos, capacitações e observação de leis, estatutos e deliberações.
No período de 6 a 12 de dezembro de 1978 na capital do Kazaquistão  ocorreu a conferência organizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS)  que teve como resultado a Declaração de Alma-Ata, onde reafirma que “saúde é um estado de bem-estar completo, físico, mental e social, portanto a ausência de doenças é apenas uma de suas condições, donde devemos entender que o bom atendimento é fundamental para que se possa atingir tais quesitos”.
O estado de saúde e o processo saúde-doença em cada pessoa são vivenciados como condição única, enquanto que para os profissionais de saúde as situações individuais são vividas como casos, de um pretenso ponto de vista objetivo, dentro de parâmetros supostamente racionais e científicos. (ZOBOLI, 2003)
Dessa forma podemos entender que enquanto os usuários veem e sentem seus casos como únicos, os profissionais envolvidos na busca da cura desses casos os veem como situações comuns e corriqueiras, não se envolvendo, dessa forma, diretamente com os usuários, buscando, sobretudo evitar os excessos de pacientes nos corredores e leitos dos hospitais e postos de saúde públicos.
Ainda que o Conselho de Saúde do Estado de São Paulo tenha lançado em 1995 a Cartilha dos Direitos do Paciente, baseada nos estudos do Fórum Permanente de Patologias Crônicas, o que culminou com a edição da lei estadual nº 10241, promulgada em 1999, lei essa análoga em vários aspectos à Carta dos Direitos dos usuários do SUS, principalmente no que tange ao direito dos usuários a terem um atendimento digno, atencioso e respeitoso; a ser identificado e tratado pelo seu nome ou sobrenome; a não ser identificado ou tratado por números, códigos ou de modo genérico, desrespeitoso ou preconceituoso (...), percebemos que na prática, tanto esta quanto aquela não são levadas em consideração no efetivo momento do acolhimento ou do atendimento ao usuário a quem foram dedicados estes textos.
Ainda visando à humanização dos serviços de saúde e seguindo o exemplo do Estado de São Paulo, o município de Belo Horizonte promulgou em 2004 a lei nº 8926 que versa sobre os direitos dos usuários dos serviços de saúde do município, lei essa que pouco ou nada difere das suas congêneres paulista mas que foi tida como base para a edição em 2006 da já citada Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, bastante importante para desregionalizar a humanização nos serviços de saúde, levando dessa forma, a humanização, à todo o território nacional, porém mais uma vez percebemos que a teoria esta distante do que é exercitado na prática.

Dispõe sobre os direitos do usuário dos serviços e das ações de saúde, no município.
O Povo do Município de Belo Horizonte, por seus representantes, decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º - A prestação dos serviços e das ações de Saúde a usuário de qualquer natureza ou condição, no âmbito do Município, será universal e igualitária, nos termos da Constituição da República, observando-se os dispositivos da Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte - LOMBH - pertinentes à Saúde. (Belo Horizonte, 2004)
Apesar do lançamento de cartilhas e leis que deveriam, em tese, serem seguidas a risca eliminando qualquer margem para o descontentamento do usuário do serviço de saúde, ainda há em alguns casos a introdução de pesquisas de satisfação, nas quais os usuários depositam suas frustrações e expectativas no que se referem ao atendimento dos serviços públicos, pesquisas essas que, ou são mal conduzidas ou não tem considerados seus resultados.
É preciso levar em conta algumas diferenças relevantes quando se avaliam serviços públicos e privados. No setor público, o usuário pode se colocar ora como consumidor, avaliando os serviços do ponto de vista de seus ganhos individuais, ora como cidadão, avaliando os serviços ao levar em conta a sociedade como um todo. Como consumidor, ele pode desejar um tempo de espera menor para a consulta e atendimento mais ágil, mas, como cidadão, pode querer que todas as pessoas sejam atendidas, implicando um tempo de espera maior. No que se refere à escolha, no setor privado, o cliente pode procurar outro serviço ou outro profissional, enquanto no setor público essa possibilidade é limitada, quando não impossível (DINSDALE et al., 2000).
Nesse momento, notamos que o usuário dependente exclusivamente do serviço público, não é eficazmente ciente de seus direitos conforme as orientações de todas as legislações pertinentes, portanto se mostra mais interado, se não na área teórica, pelo menos na área prática das limitações destes serviços, não tem opções no que tange às buscas de opções de atendimento, muitas vezes baseados não somente à baixa qualidade desses serviços como também aos baixos investimentos em treinamentos e especialização dos profissionais envolvidos em todas as áreas que envolvem esse atendimento, desde o acolhimento até a dispensa do paciente.
Instituída pelo Ministério da Saúde em 2003, a Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS (Humaniza SUS), traz em sua redação vários itens voltados ao bom acolhimento e ao bom atendimento dos usuários dos serviços públicos de saúde, além do que, como outras resoluções, busca chamar a atenção dos gestores para a importância do investimento no preparo de seus profissionais para que este investimento tenha um retorno aos usuários.
Cita-se abaixo alguns dos itens norteadores do programa PNH, onde mais uma vez podemos notar a contradição entre teoria e prática:
Com a implementação da Política Nacional de Humanização (PNH), trabalhamos para consolidar, prioritariamente, quatro marcas específicas:
1. Serão reduzidas as filas e o tempo de espera com ampliação do acesso e atendimento acolhedor e resolutivo baseados em critérios de risco.
2. Todo usuário do SUS saberá quem são os profissionais que cui¬dam de sua saúde, e os serviços de saúde se responsabilizarão por sua referência territorial.
3. As unidades de saúde garantirão as informações ao usuário, o acompanhamento de pessoas de sua rede social (de livre escolha) e os direitos do código dos usuários do SUS.
4. As unidades de saúde garantirão gestão participativa aos seus trabalhadores e usuários, assim como educação permanente aos trabalhadores.(Brasil, 2003)

Não é difícil notar que mesmo quando nas poucas tentativas efetivas dos gestores em investir e treinar os profissionais de atendimento, essas ações esbarram em barreiras, o que faz com que essas ações não alcancem o público alvo desejado.
Entre os anos 60 e 80 foram propostas mudanças nas práticas de saúde, mas ao chegar aos anos 2000 este movimento se chocou com o que resultava dele: marca ou imagens vazias, slogans sem força e as formas praticadas. As práticas de atenção se apresentavam apenas como conceito e foram segmentadas por áreas como saúde da mulher, saúde da criança, saúde do idoso e também segmentadas por níveis de atenção como assistência hospitalar. Ficaram ligadas apenas ao exercício de profissões como assistente social e psicólogo e a características de gênero mulher.
Também eram orientadas por exigências de mercado que deveriam focar o cliente e a garantia dos serviços em sua totalidade.
No entanto a mudança do conceito de humanização ganha outra forma quando falamos da construção de novas políticas públicas de saúde. É preciso estender o conceito até que se chegue às formas concretas das práticas nos serviços de saúde, na melhoria da qualidade de vida dos usuários e na melhoria das condições de trabalho dos profissionais da saúde.
Impõe-se diante disto um novo desafio a alteração dos modos de fazer, trabalhar e produzir no campo de saúde.
A própria Política Nacional de Humanização (PNH), o Humaniza SUS, criada em 2004 pelo Ministério da Saúde, reconhece em seu marco teórico-político as deficiências e dificuldades de treinamento e qualificação dos profissionais de saúde, assim como as falhas no relacionamento entre profissional e usuário, como vemos a seguir:
Os inúmeros avanços no campo da saúde pública brasileira – operados especialmente ao longo das últimas duas décadas – convivem, de modo contraditório, com problemas de diversas ordens.
Se podemos, por um lado, apontar avanços na descentralização e na regionalização da atenção e da gestão da saúde, com ampliação dos níveis de universalidade, eqüidade, integralidade e controle social, por outro, a fragmentação e a verticalização dos processos de trabalho esgarçam as re-lações entre os diferentes profissionais da saúde e entre estes e os usuários; o trabalho em equipe, assim como o preparo para lidar com as dimensões sociais e subjetivas presentes nas práticas de atenção, fica fragilizado.
O baixo investimento na qualificação dos trabalhadores, especialmente no que se refere à gestão participativa e ao trabalho em equipe, diminui a possibilidade de um processo crítico e comprometido com as práticas de saúde e com os usuários em suas diferentes necessidades. Há poucos dispo¬sitivos de fomento à co-gestão, à valorização e à inclusão dos trabalhadores e usuários no processo de produção de saúde, com forte desrespeito aos seus direitos. Um processo de gestão com tais características é acompanha¬do de modos de atenção baseados – grande parte das vezes – na relação queixa-conduta, automatizando-se o contato entre trabalhadores e usuários, fortalecendo um olhar sobre a doença e, sobretudo, não estabelecendo o vínculo fundamental que permite, efetivamente, a responsabilidade sanitária que constitui o ato de saúde. O quadro se complexifica quando também verificamos que o modelo de formação dos profissionais de saúde mantém-se distante do debate e da formulação das políticas públicas de saúde.(BRASIL, 2004)
               Desta forma, a humanização não deve ser tida simplesmente como mais uma cartilha a ser seguida pelos serviços de atendimento à saúde, mas como mais uma ferramenta que esteja situada paralelamente com outros tantos programas homogêneos de atendimento ao usuário dos serviços públicos de saúde.
              Porém, a simples idéia de se ter programas paralelos pode levar a supor que não se possa haver uma ligação entre eles, o que pode representar um erro no entendimento e ações, mas o que se espera é que haja proximidade e se possível uma intersecção entre todos os programas que visam à melhoria do atendimento.
             Não se pode esquecer a responsabilidade dos gestores em buscar, identificar e implantar estratégias e mecanismos de planejamento, ideias, avaliação e soluções que visem à erradicação dos contratempos encontrados pelos buscadores de saúde na rede pública, e que, ao mesmo tempo, chame a atenção dos profissionais para a importância da objetividade do bom atendimento aos usuários eliminando assim o hiato existente entre a satisfação no serviço e a satisfação com o serviço, onde ambos devem fazer parte de um todo.

CONCLUSÃO
            Há margens para dúvidas sobre se haveria espaço para a implantação de novas estruturas e para a adoção de novos conceitos no campo da humanização.
           Não há, portanto, a pretensão de sugerir que se substitua as implantação de condições satisfatórias de estruturas nas quais se baseiam o atendimento de qualidade, os quais são já reconhecidos como fundamentais para o acolhimento e manutenção do atendimento por políticas e ações fundamentadas simplesmente no bom relacionamento entre usuários, profissionais e gestores.
Há a esperança, sobretudo no que diz respeito a gestores e profissionais, que se deixe de ser teórico e que se faça prático a instrução do PNHAH que considera que “é necessário cuidar dos próprios profissionais da área de saúde, constituindo equipes de trabalho saudáveis.” (BRASIL, 1999)
Logo, é necessário que se rompa o circulo vicioso onde se tem gestores não compromissados com a formação de profissionais de excelência, uma vez que estes, os profissionais, não se mostram interessados em prestar serviços de qualidade aos usuários, visto que não se sentem devidamente valorizados e por último, mas não em menor importância, onde se tem usuários que reclamam constantemente do atendimento recebido e cobram principalmente dos profissionais, que são a linha de frente, uma melhor atenção e acolhimento.
É importante também que se tenha gestores e profissionais com conhecimento prático do funcionamento dos serviços públicos de saúde, uma vez que grande parte desses atuam ou gerenciam estes serviços, mas não os utilizam quando necessitam de buscar atendimento de algum tipo de serviço de saúde, utilizando-se, na grande maioria, dos serviços de saúde privados, que como se pode perceber, por visarem o lucro em suas atividades, tem um atendimento e relacionamento usuário/prestador inverso ao que se percebe na área pública.
Diante de todo o exposto, fica a sugestão de que haja maiores e, sobretudo, melhores investimentos por parte dos gestores no treinamento dos profissionais, de forma que esses percebam claramente a importância de atender bem ao usuário dos serviços de saúde, além de se esperar também que os usuários sejam melhor conscientizados de seus direitos e das limitações dos serviços de saúde públicos e espera-se que com os resultados positivos destas ações inverta-se o ciclo vicioso atual, onde se poderá ter usuários satisfeitos o que leva a menos reclamações, levando a profissionais mais receptivos o que levaria os gestores, diante da positividade dos serviços bem prestados em suas unidades, a investir cada vez mais no preparo dos profissionais e na informação dos usuários.

REFERÊNCIAS

Brasil, Ministério da Saúde, Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde. Brasília, 2006
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde
Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar /
Ministério da Saúde, Secretaria de Assistência à Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde. 60p.: il. (Série C. Projetos, Programas e Relatórios, n. 20)
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização: a humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS / Ministério da Saúde, Secretaria-Executiva, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
20 p.: il. – (Série B. Textos Básicos de Saúde)
Belo Horizonte, Lei nº 8926 de 2 de agosto de 2004, Dispõe sobre os direitos do usuário dos serviços e das ações de saúde , no município
Dinsdale GB, Manson DB, Schmidt F & Strickland T2000. Metodologia para medir a satisfação do usuáriono Canadá: desfazendo mitos e redesenhando roteiros.Brasília, ENAP, No20.
MERHY, Emerson Elias. O ATO DE CUIDAR: a alma dos serviços de saúde? Campinas, maio, 19 99
RECH C. M. F. Humanização hospitalar: o que pensamos tomadores de decisão a respeito? São Paulo 2003.Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Faculdade
de Saúde Pública, Universidade de São Paulo
ZOBOLI E. L. C. P. Bioética e atenção básica: um estudo de ética descritiva com enfermeiros e médicos do Programa de Saúde da Família. São Paulo, 2003.
Tese (Doutorado em Saúde Pública) - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo


  Fábio Eduardo Oliveira de Carvalho ¹Tecnólogo em Gestão de Recursos Humanos UNITAU, 2008 – Saúde Publica com ênfase em Saúde da Família UNINTER/FACINTER)
 VeraMarisaF.M.Hirata²  Assistente Social Especialista em Saúde Pública, em Administração Hospitalar, em Tutoria e Ensino a Distancia , Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná e orientadora de TCC do Centro Universitário- UNINTER
  

As duas maneiras de se fazer política

“Há duas maneiras de fazer política. 
Ou se vive para a política ou se vive da política. 
Nessa oposição não há nada de exclusivo. 
Muito ao contrário, em geral se fazem uma 
e outra coisa ao mesmo tempo, 
tanto idealmente quanto na prática” 

Max Weber




Conceituando Políticas Públicas


Políticas Públicas são as ações executadas pelo Estado visando atingir a coletividade, podendo ocorrer em parceria com organizações não governamentais e também com a iniciativa privada. Para garantir o bem social, seguindo as normas dos direitos humanos, as políticas públicas deveriam se desencadear visando beneficiar o maior número possível de cidadãos, porém no Brasil é comum presenciarmos ações que visam ao fortalecimento de setores privilegiados pela sociedade, o que acaba aumentando e perpetuando a má distribuição de renda e consequente desigualdade social.

Sugiro a leitura do seguinte texto: “As Políticas Públicas no Brasil: heranças, tendências e desafios” de Tânia Bacelar (Doutora em Economia, Planejamento e Organização do Espaço e também Professora de pós-graduação em Geografia, Ciência Política e Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco). Esse material de 10 laudas trata sobre o histórico do tema no Brasil, as novas tendências da economia mundial, suas consequentes repercussões nas políticas públicas brasileiras e também as ameaças e oportunidades para o movimento popular nacional. Onde encontrar? Aqui: http://www4.fct.unesp.br/grupos/gedra/textos/Texto1_politicas_publicas_no_br_TaniaBacelar.pdf (no botão direito escolher "Salvar Destino Como...", caso não esteja abrindo ao clicar).

Outro texto interessante sobre Políticas Públicas é o de Vicente Vagner Cruz, Licenciado e Bacharel do Curso de Ciências Socias pela Universidade Federal do Pará (UFPA), cujo link de acesso atual é http://www.artigonal.com/politica-artigos/repensando-o-conceito-de-politicas-publicas-756674.html. O artigo desse autor tem o título “Repensando o Conceito de Políticas Públicas” e apresenta várias definições e conceitos de renomados escritores sobre esse tema, apresentando assim uma rica bibliografia.

Confiram esses bons materiais e tenham uma ótima leitura!

Políticas Públicas na Saúde - SUS


De acordo com Paulo Eduardo Elias na cartilha “SUS: O que você precisa saber sobre o Sistema Único de Saúde” da Associação Paulista de Medicina (2.000, p. 6, vol. 1, 1ª ed., São Paulo), a saúde só foi consolidada como política pública depois da Segunda Guerra Mundial com o advento do “Estado de Bem-Estar Social” e dos sistemas de saúde nos EUA e na Europa, pois antes desse período a saúde apresentava uma expressão muito setorial, não tendo uma significativa importância econômica.

No Brasil, a Constituição de 1988 foi um marco na história da saúde pública ao definir a saúde como “direito de todos e dever do Estado”, o que deu margens para a criação do SUS, a qual foi efetivada a partir da Lei Orgânica da Saúde nº. 8.080 de 19 de setembro de 1990.

manual “Para Entender a Gestão do SUS” do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) nos lembra que “(...) antes da criação do Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde desenvolvia quase que exclusivamente ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, como campanhas de vacinação e controle de endemias. A atuação do setor público na chamada assistência médico-hospitalar era prestada pelo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), autarquia do Ministério da Previdência e Assistência Social, sendo que a assistência à saúde desenvolvida beneficiava apenas os trabalhadores da economia formal, segurados do INPS e seus dependentes, não tendo caráter universal” (2003, p. 24, Brasília).

Apesar dos seus graves problemas estruturais, O SUS teve grande importância para a população brasileira desde sua implementação e está em constante processo de expansão e aprimoramento. Segundo o Ministério da Saúde Brasileiro o SUS “é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Ele abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. (…) Além de oferecer consultas, exames e internações, o Sistema também promove campanhas de vacinação e ações de prevenção e de vigilância sanitária – como fiscalização de alimentos e registro de medicamentos –, atingindo, assim, a vida de cada um dos brasileiros” (http://www.saude.gov.br/ – acesso em 31/07/2017).

Ainda de acordo com o professor Paulo Eduardo Elias (2000), o SUS se fundamenta nos princípios da universalidade, igualdade e equidade, tendo como suas diretrizes a descentralização, participação da comunidade através dos Conselhos de Saúde e o atendimento integral que garantam tanto ações curativas, quanto de prevenção.

Os direitos sociais e da saúde relativos ao SUS, juntamente com as competências da União, Estados e Municípios nessa área, estão expressos no texto das Constituições da República, do Estado e da Lei nº 8.080 e 8.142/90. Entender a legislação vigente é de suma importância para que tenhamos pleno conhecimento de nossos deveres e direitos, para assim podemos usufruir dos benefícios do SUS e cobrar mais empenho, eficácia e honestidade de todos os gestores da Saúde brasileira, inclusive nós mesmos, se for o caso.